Em abril de 2025, uma amiga colocou uma placa 5=3 em Erevan em meu nome. Eu não estava presente, e nenhuma de nós se apercebeu, até mais tarde, de que a parede já tinha algo — um mural de um artista de rua colombiano que tinha visitado a Arménia em 2023, escondido num ponto onde a nossa placa acabou por cobrir parte do seu trabalho.

Ninguém reparou de início. A placa parecia bem onde estava, e só quando olhei com atenção para as fotografias, mais tarde, é que reconheci os contornos de outra obra por baixo e à sua volta. É um tipo específico de aflição para quem trabalha no espaço público: perceber que algo que deixou para trás com boas intenções pode ter apagado, silenciosamente, parte do trabalho de outra pessoa.

Encontrar o Artista

Não tinha um nome de onde partir, apenas o próprio mural. Fiz uma pesquisa de imagem inversa com as partes da obra que ainda eram visíveis, o que acabou por me levar a um artigo de jornal antigo sobre a visita do artista à Arménia em 2023. A partir daí, consegui dar um nome à obra e, eventualmente, encontrar uma forma de o contactar diretamente.

Escrevi-lhe, expliquei o que tinha acontecido e perguntei se a colocação era um problema. Ele disse que estava tudo bem. Essa resposta importou, mas não desfez o facto de uma amiga, levando a minha placa com as melhores intenções, a ter colocado num lugar onde não pertencia, sem que nenhuma de nós soubesse que aquela parede já carregava, de alguma forma, o nome de outra pessoa.

Boas intenções não dão a ninguém o direito de escrever por cima do trabalho de outra pessoa.

Esta é a lição que quero que outras pessoas a fazer coisas semelhantes levem a sério: nunca colocar uma placa, um cartaz ou um autocolante por cima de uma obra de arte de rua, um mural ou um memorial já existente, mesmo por acidente, mesmo quando o espaço parece abandonado ou meio esquecido. A arte de rua tem a sua própria etiqueta, construída ao longo de décadas por pessoas que correm os mesmos riscos que nós — a trabalhar em público, sem autorização, na esperança de que o seu trabalho seja respeitado por quem vier depois. Colocar algo por cima da peça de outro artista quebra essa etiqueta, independentemente da intenção, e o facto de este artista ter sido generoso a esse respeito não significa que o próximo o será, ou que devesse ter de o ser.

Desde Erevan, a regra para qualquer pessoa que leve uma placa em nome do projeto é simples e inegociável: verificar primeiro a parede. Espaço vazio, pedra desgastada, uma superfície sem uso — sim. Qualquer coisa que já carregue o trabalho de outra pessoa, por muito desbotado ou parcial que seja, está fora de questão. É uma regra pequena, mas é o tipo de regra que só se torna mais nítida depois de a termos quebrado uma vez, por acidente, e de termos tido de procurar a pessoa a quem podíamos ter feito mal. É o mesmo cuidado que agora guia amigos a levar placas ao longo de uma semana de paragens pelo norte da Alemanha ou por uma colocação mais discreta, cola emprestada incluída, em Basileia.

A Arménia recebeu mais tarde uma segunda peça, colocada com muito mais cuidado — uma placa disposta entre as colunas de basalto da Sinfonia das Pedras — prova de que o mesmo país podia guardar tanto o erro como aquilo que veio depois dele. Penso muitas vezes naquela parede de Erevan, não porque algo tenha corrido mal no final, mas porque poderia ter corrido. O projeto existe para abrir espaço a uma conversa que foi silenciada durante demasiado tempo — seria um tipo estranho de fracasso fazê-lo silenciando, mesmo que por acidente, a voz de outro artista na mesma parede.

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