Em junho de 2025, o projeto experimentou algo que não tinha nada a ver com barro. Em vez de uma placa de cerâmica, construímos um cartaz de rua com testes de gravidez reais — dezenas deles, dispostos e fixados na forma da fórmula, “5=3”, de modo que, à distância, se lesse como qualquer outra peça de tipografia urbana, e, de perto, fosse feito exatamente do objeto mais associado ao início de uma gravidez.

A escolha do material foi deliberada. Um fragmento de cerâmica é bonito, mas também é abstrato — uma fórmula sobre um fragmento de barro cozido, silenciosa e um pouco distante. Um teste de gravidez não é abstrato para ninguém que já tenha usado um. É o objeto que se fica a fitar durante os dois minutos mais longos da vida, por vezes com esperança, por vezes com pavor, por vezes com as duas coisas ao mesmo tempo. Construir os números com esse objeto reduziu a distância entre a arte e o facto que ela estava a descrever.

Porque é que os materiais continuam a mudar

O projeto 5=3 nunca ficou parado quanto ao formato. Começou como cerâmica vidrada cortada à mão, em Paris, passou a porcelana moldada num só ano, e, em meados de 2025, tinha-se também tornado num grande cartaz de rua e, mais tarde, num conjunto de autocolantes gratuitos e imprimíveis. Cada material pede algo diferente a quem olha. A cerâmica convida alguém a baixar-se e a ler algo pequeno num muro por onde talvez passasse sem reparar. Um cartaz feito de testes de gravidez funciona à escala de um outdoor — para pessoas que não procuravam nada, porque o próprio material é instantaneamente reconhecível antes mesmo de a mensagem ser compreendida.

Fazê-lo foi menos como trabalho de cerâmica e mais como trabalho de montagem: arranjar testes suficientes, descobrir como montá-los para que a peça se mantivesse coesa e sobrevivesse ao tempo e ao manuseamento, e depois encontrar um muro onde o cartaz pudesse existir como street art, e não como algo isolado numa galeria. Essa última parte foi a que mais importou. Todo o projeto depende de ser encontrado por acaso, e não procurado — alguém a caminho do trabalho, não alguém a visitar uma exposição.

O material tinha de ser algo que as pessoas já compreendessem antes de lerem uma única palavra.

A fórmula manteve-se exatamente a mesma de sempre: X para o número de vezes grávida, Y para o número de filhos criados. O que mudou foi a superfície onde estava escrita. Onde as peças de cerâmica pedem uma leitura silenciosa e próxima, o cartaz de testes de gravidez funciona quase como uma provocação — pega num objeto normalmente encontrado a sós, numa casa de banho, em silêncio, e coloca-o em público, em grande escala, onde já não pode ser silenciosamente guardado numa gaveta.

As reações a ele foram mais imediatas do que a qualquer placa de cerâmica. As pessoas fotografaram-no, discutiram sobre ele, perguntaram o que significava antes de o terem percebido por si próprias. Isso é diferente de uma placa, que costuma ser descoberta em vez de confrontada. As duas abordagens importam. As peças silenciosas chegam a quem já está a olhar para dentro; um cartaz como este chega a quem não estava sequer a pensar na perda de uma gravidez até dobrar uma esquina.

Continua a ser a experiência material mais ousada do projeto até agora, e não será a última. A fórmula é fixa. Nada mais, na forma como escolhemos dizê-la em público, o é.

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