Quase todas as placas do projeto 5=3 existem porque alguém, em algum momento, precisou de uma amiga que soubesse o que dizer — ou que simplesmente conseguisse não dizer a coisa errada. Ouvimos isto das pessoas que nos escrevem depois de encontrar uma placa num muro em Paris, em Viena ou em Telavive: a perda em si foi difícil, mas o que mais recordam, anos depois, é quem apareceu por elas e de que forma.
Não há um guião que funcione para todas as pessoas. Mas há padrões. Se uma amiga lhe disser que teve um aborto espontâneo, a coisa mais útil que pode oferecer nas primeiras horas é presença sem uma agenda — não precisa de resolver nada, explicar nada, nem encontrar o lado positivo. “Estou aqui” e “Sinto muito” pesam mais do que qualquer garantia sobre quão comum é o aborto espontâneo, mesmo que esse facto seja verdadeiro e, mais tarde, valha a pena saber.
O que não dizer
Algumas frases bem-intencionadas caem mal. “Pelo menos sabes que consegues engravidar” transforma uma perda num prémio de consolação. “Tudo acontece por uma razão” pede a alguém que encontre sentido em algo que, na maioria das vezes, não tem outra razão além da biologia. “Podes tentar outra vez” passa ao lado da criança que já existia, ainda que só por algumas semanas, nos planos e no corpo dela. Nenhuma destas frases é dita por crueldade — vêm de pessoas que se sentem desconfortáveis com o luto e querem ultrapassá-lo depressa. O desconforto é compreensível. Só que não é dela que cabe resolvê-lo.
O que costuma ajudar, em vez disso, é um apoio específico e sem pressão: uma mensagem que diga “estou a pensar em ti hoje, não precisas de responder”, uma refeição deixada à porta, uma oferta para a acompanhar a uma consulta de seguimento, ou simplesmente perguntar “queres falar sobre isto, ou preferes uma distração agora?” e depois seguir a resposta dela. O luto depois da perda de uma gravidez não é linear — ela pode querer silêncio num dia e detalhe no seguinte.
As pessoas que menos mal me fizeram foram as que me deixaram marcar o ritmo.
Os aniversários também importam, e são fáceis de esquecer se não foi a pessoa que carregou a gravidez. A data prevista do parto que nunca chegou, a data da própria perda — estas podem trazer o luto de volta meses ou anos depois, muitas vezes em silêncio. Uma mensagem curta nessa data, mesmo um simples “estou a pensar em ti”, diz-lhe que a perda não foi esquecida só porque o tempo passou.
Também ajuda lembrar que os parceiros vivem o luto de forma diferente, por vezes a ritmos diferentes, e isso não significa que nenhum dos dois esteja a viver o luto de forma errada. Se é próxima de um casal, vale a pena falar com ambos, separadamente, em vez de presumir que um está bem só porque o outro parece estar.
Uma em cada quatro gravidezes não termina com uma criança que se leva para casa — um facto que a maioria das pessoas só aprende quando acontece consigo ou com alguém próximo. Essa diferença entre X, o número de gravidezes, e Y, o número de filhos criados, é toda a razão de ser deste projeto: tornar os números suficientemente visíveis para que o apoio não dependa da sorte, e para que ninguém tenha de explicar tudo do zero pelo que está a passar.
Se não tiver a certeza do que fazer, perguntar com sinceridade — “não sei do que precisas agora, podes dizer-me?” — já é, em si, uma forma de apoio. Diz-lhe que está disposta a ficar, mesmo sem um guião.
Os seus números também importam
Escreva o seu próprio X = Y em solidariedade, descarregue os autocolantes gratuitos, ou peça-nos para enviar uma placa para a sua cidade.
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