A maioria das placas do 5=3 viaja comigo. Um punhado viaja sem mim, levado por amigos que calham a ir a algum lugar onde o projeto ainda não chegou, e dois dos exemplos mais distantes disso são um muro de street art no Rio de Janeiro e uma rua colonial em Havana.
O Rio veio primeiro, em maio de 2025. A placa foi colocada junto a um trecho consolidado de street art na cidade — o tipo de muro onde o trabalho já existente à volta deixa claro que o que ali se acrescenta tem de se afirmar ao lado de pintores sérios, e não apenas ocupar um espaço em branco. Colocar o 5=3 ali significou encaixar a fórmula numa linguagem visual já de si intensa, densa e própria daquela cidade, em vez de tratar o muro como se estivesse vazio.
Levado à mão, não enviado pelo correio
Quase nenhuma das colocações internacionais acontece porque eu própria voei até lá. A maioria começa da mesma forma: alguém que conheço já vai a algum lugar, e uma placa ou uma folha de autocolantes entra na mala dessa pessoa junto com tudo o resto que está a levar. Foi assim no Rio, e foi assim em Havana, onde uma placa chegou a uma rua colonial graças a uma amiga que atravessou o Atlântico — não numa viagem do projeto, apenas uma pessoa disposta a levar algo pequeno e a colocá-lo com cuidado assim que chegasse.
Esta forma de trabalhar moldou o projeto tanto quanto a própria cerâmica. Uma placa que só eu pudesse colocar existiria apenas nas cidades que eu escolhesse visitar. Uma placa que uma amiga pode levar vai para onde quer que essa amiga já fosse — e é assim que um projeto sobre uma única fórmula acaba por se espalhar por um conjunto específico e imprevisto de cidades, em vez de uma lista escolhida a dedo. Havana nunca esteve num mapa de “próximas paragens”. Aconteceu porque alguém ia até lá de qualquer forma e se lembrou do projeto ao fazer a mala.
O mapa deste projeto é, na verdade, um mapa de quem estava a viajar, e quando.
Há algo de apropriado nisso para um projeto construído sobre uma fórmula privada e pessoal. As placas do 5=3 não chegam a uma cidade com um evento de inauguração ou o plano de um curador. Chegam da mesma forma que os próprios números chegam à vida da maioria das pessoas — em silêncio, levados por alguém, sem grande aviso, e colocados onde quer que parecesse honesto naquele momento. Uma rua colonial em Havana e um muro coberto de murais no Rio de Janeiro não têm quase nada em comum como lugares, exceto o facto de ambos carregarem agora a mesma pequena fórmula, colocada ali por pessoas que se importaram o suficiente para a trazer.
Isso também significa que o projeto depende de confiança de uma forma que um esforço a solo nunca dependeria. Entregar a alguém uma placa e pedir-lhe que encontre o muro certo, à altura certa, numa cidade que eu própria talvez nunca venha a ver, significa abdicar do controlo sobre exatamente como e onde ela vai parar. Até agora, essa confiança tem-se mantido — todas as amigas que levaram uma peça para o estrangeiro colocaram-na onde ela pertencia, e enviaram-me depois uma fotografia a dizer-me que tinha chegado bem.
O Rio e Havana são, por agora, dos pontos mais distantes a que a fórmula já chegou — um num muro feito para street art, o outro numa rua construída séculos antes de qualquer uma de nós ter nascido. Nenhuma das duas cidades sabia que o projeto vinha aí. E é assim, na verdade, que a perda de uma gravidez também entra na vida da maioria das pessoas: sem aviso, descoberta em vez de agendada e, com sorte, recebida por alguém simplesmente disposto a aparecer.
Os seus números também importam
Escreva o seu próprio X = Y em solidariedade, descarregue os autocolantes gratuitos, ou peça-nos para enviar uma placa para a sua cidade.
Partilhe os seus números